26 de dezembro de 2015

Fome - Questionando o Aurélio [2]


fome s.f. Necessidade de comer, causada pelas contrações do estômago vazio

Para compreender a fome não se pode esquecer da miséria
Miséria causada por outra fome: a fome de poder

Para compreender a fome é preciso ler Carolina Maria de Jesus
Lembrar da ambição e voracidade de uma certa classe

Para compreender a fome não se pode estar com a barriga cheia
Ninguém pode descrevê-la melhor que o faminto
A fome não é racional

"Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz"

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18 de dezembro de 2015

Manual da Liberdade - Releituras [16]


1. Deus nos atribuiu livre arbítrio, portanto, use-o;
2. Diminua sua (vã) cautela;
3. Liberte-se! Rompa com padrões;
4. Diga SIM, sempre que não puder;
5. Não cultive temores;
6. Cumpra seu desejo, mesmo que não atenda a convenções;
7. Permita-se crer em conjecturas, ainda que lhe faltem provas convincentes;
8. Expresse sua arte, mesmo que não a percebam;
9. Fuja de ideias prontas e toda (falsa) modéstia;
10. Não siga regras (começando por essas!).

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Ciranda das Letras - Releituras [15]


— Cadê?
— O quê?
— Cadê a letra?
— Caiu da frase.
— E cadê a frase?
— Procurando a rima.
— Cadê a rima?
— Saiu do verso.
— Mas cadê o verso?
— Brigou com a estrofe.
— Cadê a estrofe?
— Fugiu da poesia.
— Cadê a poesia?
— Psiu! Está com medo.
— E cadê o medo?
— Seguindo o poeta.
— E cadê o poeta?

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Colo de mãe - Eu [4]


Bons tempos de criança
Brincadeiras; quanta imaginação
Como era bom: inocência!
Que falta me faz a proteção

Que saudade do abraço e do afago
Do cheiro e do beijo
Do carinho e do amor
Aquele calor

Quando o medo chegava
Os braços me socorriam
Quando dor [eu] sentia
'Pro' berço eu corria

Agora, o saudosismo chegou
No frio, eu mesmo me esquento
O cotidiano 'martela' e amassa
E eu não tenho aonde correr

Agora, compreendo o 'Michael'
Acho que também quero brincar de Peter Pan

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Renovar-me-ei - Releituras [14]


Renovar-me-ei!
Feito olhar de criança
Transmissão de pureza,  refletindo esperança

Fugir do ostracismo
Repelir todo, e qualquer, cinismo
Não plagiar o Eu de ontem
Refazer o amanhã

Liberdade é não convergir
Não ceder ao servir
Cultivar a tolerância
Abandonar a redundância

Ser amante da Mãe natureza
Admirar os detalhes da beleza
Semear algum saber
Não ignorar a poesia popular

Acompanhar a novela do trabalhador
Aprender, mesmo que seja na dor
Não temer novos amores
Apreciar todos os sabores

Recusar rótulo
Defender o acesso
Provar sem cálculo
Dividir todo excesso

Renovar-me-ei!
Renovar é preciso.

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HD Divino - Releituras [13]


Deus:/Meus Documentos/Criacoes/Universo/VLactea/Terra/Eukaryota/Animalia /Chordata/Vertebrata/Mammalia/Eutheria/Primatas/Haplorrhini/Hominidae /Homininae/Homo/Sapiens/homem.exe

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Deseja continuar? (Sim) (Não)

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Delírio mal-escrito - Releituras [12]


Armando é um sujeito malandro e boa gente.
Sua mãe era viciada em farinha.
Chegou o dia que nem dinheiro tinha.
O traficante cobrou e o bebê Armando ela entregou.

O tempo passou e a mulher evoluiu.
Buscou a conversão seguindo a Deus.
Com um Pastor ela casou e o negócio prosperou.

Enquanto isso, o menino seguia sua vida.
Muitas vezes ele nem via comida.
Brincava com uma pistola acertando passarinhos.
E tudo isso era sua alegria.

Armando cresceu e ganhou o mundo.
Arrumou uma bela namorada.
Que dividia com mais uns 12 camaradas.

Entrou no ônibus e assaltou de mão vazia.
Pedindo dinheiro para a refeição do dia.
O alimento nem mesmo ele sabia.

Aquilo era pouco pra sustentar.
Muito mais ele queria ganhar.
Comprou uma moto e foi assaltar.

Roubou, assaltou, enganou ...
Porém, nunca tinha matado.
Sorte dele pois não tinha advogado!

Mas o tempo passa e massacra.
Certo dia, entrou no ônibus.
Dessa vez, com um fuzil.

E o destino cruzou-o com sua genitora.
Sem saber, ele continuou o assalto.
Ela começou a rezar.
Armando ficou nervoso e gritou.
Não parou e um hino ela entoou.
O disparo ecoou e o chão ela beijou.

Armando foi preso.
Estampou a capa do jornal.
Gerou fama para o policial.
Ganhou apelido: ' Armando, o Cruel'.
E agora me pergunto: qual a maior crueldade dessa história (?).


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Imparcial - Questionando o Aurélio [1]


imparcial adj2g. Que julga sem paixão; reto, justo.

Será possível avaliar sem paixão?
Ou ainda, é necessário que o faça?

Como pode a mãe não apreciar a beleza do filho
Ou o poeta as rimas de sua poesia?
Pergunte ao amante: o que acha do luar?
E o que fará o torcedor com sua idolatria?

Todos temos ideologias
Seja dos dominados
Seja dos dominadores

Talvez, ainda nos falte romper com a hipocrisia
Para compreender que não se julga sem paixão

"Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz"

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Inércia - Releituras [11]


Olhos abertos, teto branco, despertador desligado, chinelo preto, janela aberta, manhã ensolarada, escova velha, creme dental, torneira aberta, roupa dobrada, banho gelado, bucha dura, toalha limpa, chinelo preto, cueca branca, calça usada, cinto de couro, desodorante cheiroso, camiseta de algodão, gel sem álcool, água quente, café forte, açúcar refinado, leite integral, pão com manteiga, camiseta manchada, sapato 42, bolsa pesada, porta aberta, porta trancada, chave no bolso, ponto de ônibus, relógio adiantado, carro veloz, senhora simpática, cachorro faminto, vizinha fofoqueira, esgoto fedido, ônibus parado, asfalto irregular, sinal vermelho, pedestres atribulados, sinal verde, trânsito parado, passageiros impacientes, ponto de parada, calçada baixa, portaria cheia, guarda atento, elevador demorado, andar 12, secretária puxa-saco, sala 171, mesa organizada, notebook ligado, internet conectada, trabalho chato, chefe exigente, relógio lerdo, estômago vazio, ambiente entediante, almoço esperado, arroz cozido, feijão seco, bife acebolado, suco de uva, bexiga cheia, banheiro distante, tarde quente, pombas negras, cortina fechada, café com adoçante, notebook desligado, zíper cerrado, bolsa nas costas, sala trancada, departamento vazio, elevador demorado, térreo, carros na saída, ponto de ônibus, vendedor de balas, cego sentado, ônibus parado, fone de ouvido, fast-food lotado, outdoor luminoso, trânsito caótico, noite bonita, lua minguante, ponto de ônibus, casa amarela, chave na mão, porta aberta, luz acesa, porta trancada, celular sobre a mesa, sapato jogado, TV ligada, banheiro livre, vaso sujo, descarga acionada, calça no cabide, short leve, chinelo preto, panela preta, cebola cortada, ovo quebrado, água quente, fio de óleo, macarrão na panela, prato cheio, sofá confortável, comida quente, fome erradicada, chá de limão, controle ruim, novela das 8, bocejo constante, TV desligada, escova velha, creme dental, torneira aberta, copo de plástico, água filtrada, luz apagada, cama grande, abajur ligado, livro aberto, página 72, história interessante, página 93, marca página, livro fechado, abajur desligado, ventilador acionado, pensamento distante, trabalho de amanhã, Olhos fechados!

Linha do Tempo - Releituras [10]


1965 - Nascimento de João da Silva, brasileiro, filho de Francisco (pintor) e Ana (dona de casa).
1970 - João adora brincar, subir em árvores, correr pelas ruas da cidade.
1972 - Frio na barriga, expectativa, medo: Primeiro ano de João na escola.
1975 - João está 'grandinho', já não brinca tanto como antes. Tem tarefa da escola pra fazer e ajuda na limpeza da casa.
1977 - João começa a trabalhar com seu Pai.
1979 - Não há mais tempo para estudar e João abandona a escola.
1982 - João trabalha bastante, é um pintor profissional!
1983 - Abertura da primeira poupança e pensamento no Futuro.
1985 - João conhece Helena, futura mãe de seus filhos.
1987 - João dá entrada na casa própria com o dinheiro da poupança.
1988 - Evento do Ano: Casamento de João e Helena.
1991 - Nasce o primeiro filho do casal, Pedro.
1992 - João é determinado e continua sempre a trabalhar.
1994 - Que alegria: João consegue trocar os móveis da sala e comprar uma TV 20" para assistir a Copa do Mundo.
1998 - Nasce Joana, irmã do menino Pedro.
2000 - Conquista: João consegue renovar seu quarto e comprar um novo guarda-roupas.
2001 - Helena quer uma TV mais nova e João faz um crediário para agradar a Família.
2003 - O serviço fracassa e João precisa fazer um empréstimo para segurar as contas.
2005 - João segue trabalhando, mas parece não ter a mesma alegria.
2007 - Joana quer um celular, afinal já é uma mocinha. Pedro, orgulho do papai, estuda para o vestibular!
2008 - Pedro não passa no vestibular, começa a trabalhar em uma loja de sapatos pra pagar o Cursinho.
2011 - A rotina de João é trabalhar, chegar em casa, jantar em frente a TV e dormir.
2013 - Os quartos já merecem móveis novos!
2015 - Pedro, agora professor de História, conhece Silvia.
2016 - Pedro se casa com Silvia e Joana passa no vestibular. João está feliz com o sucesso de seus filhos.
2019 - Joana se casa com um médico. Agora, João e Helena vivem sozinhos na casa.
2023 - A vida continua e João é avô: nasce Júnior, o primeiro filho de Pedro.
2027 - João continua a mesma rotina e passa a maior parte do tempo em casa.
2030 - João parece apenas aguardar a morte!
2035 - Ele está doente, problemas respiratórios.
2037 - Morre (mais um) João.

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